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A cultura da macieira no município de Palmas: uma análise histórica

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Palmas, a capital paranaense da maçã e do frio recebe este título devido as suas condições climáticas e geográficas, que fazem da região um lugar propício para o cultivo de maçãs. Por possuir um inverno frio e um verão com chuvas regulares o município produz frutos de bons calibres, sabor e coloração. A introdução da cultura no município se deu em 1978, com o cultivo de 4 hectares. A produção de maçã de Palmas passou por grandes mudanças desde a sua implantação. Observa-se um período de incremento de área e produção até por volta do ano de 2004, devido principalmente a qualidade e a quantidade da produção, que já em seus primeiros anos alcançava números acima das médias nacionais. Entretanto, após o ano de 2006 houve uma redução de 11% da área cultivada e consequentemente da produção. Dados de 2018 registraram que o município conta com 380 ha de área plantada e produção total de 7.932 toneladas. Os fatores climáticos ao longo dos anos, de forma geral, não prejudicaram a produção, uma vez que se apresentam em ciclos regulares; desta forma uma das hipóteses é de que fatores mercadológicos e referentes a outros fatores de produção tenham sido responsáveis pela queda da área cultivada com a cultura.

Desenvolvimento

O município de Palmas, estado do Paraná, está localizado a uma latitude 26º29’03″ sul e a uma longitude 51º59’26″ oeste (Praça Central). Teve seu desmembramento da cidade de Guarapuava em 13 de abril de 1877 tornando-se uma vila, e apenas dois anos mais tarde, no dia 14 de abril de 1879 foi promovida a Distrito Sede da Povoação de Palmas, data que até hoje é considerada como aniversário da cidade. Possui altitudes variando entre 950 e 1.370 m, de relevo sem grandes diferenças bruscas, com temperatura média anual em torno dos 15ºC, o que a torna uma das cidades mais frias do sul do Brasil, tendo boas características para a produção de frutas de clima temperado (IBGE, 2021).

Palmas é classificada geograficamente com clima subtropical úmido com verão temperado (Cfb), apresentando uma média de 653,5 horas de frio hibernal por ano (IAPAR, 2016).

Produção

No município são produzidas maçãs do tipo Gala, Fuji e Eva, que compõem cerca de 90% das variedades plantadas, e em menor número outras variedades como Fuji Suprema e Imperatriz, compondo os outros 10% dos pomares palmenses (Palmas, 2020), Atualmente Palmas se encontra na 16ª posição no ranking de cidades brasileiras de maior produção da fruta (IBGE, 2021).

O solo da região é oriundo da alteração de rochas ígneas ácidas, que apresentam diferentes associações dependendo da sua localização geográfica, como: Ca 30, Ca 35, Ra 16, L Ba 4 e L Ba 3. São solos rasos ou medianamente profundos e moderadamente a bem drenados, que devido ao clima da região apresentam pouco grau de evolução (Governo do estado, 1998).

Com uma população estimada em 51.755 pessoas é marcada pela miscigenação entre indígenas, negros, portugueses, alemães, italianos e japoneses. Possui um PIB per capita de R$ 23.588,47 e um IDH de 0,660; caracterizando-se como uma das cidades mais desiguais do sul do Brasil e a 9° cidade mais desigual do Paraná, o que a torna uma cidade majoritariamente pobre (IBGE, 2021).

A cidade se desenvolveu baseada, inicialmente, na pecuária bovina (Carlin, 2019) e na exploração madeireira (Petroli, 2018). Atualmente a economia é baseada na agricultura, pecuária, agroindústria, comércio local e principalmente na indústria madeireira (Palmas, 2020).

A cultura da macieira em Palmas

No início dos anos 70, com o despertar do mundo para a manutenção do meio-ambiente, as ameaças de extinção de espécies animais e vegetais, e a cobrança de entidades ligadas ao conservacionismo do mundo todo, o Brasil mudou bruscamente a legislação, exigindo a diminuição e interrupção do corte das árvores e o desmatamento desenfreado, principalmente no Estado do Paraná. Mas as áreas devastadas até então precisavam produzir (Carlin, 2019).

Foi nesse contexto que em 1978, o produtor Geraldo Lovo, com uma amostra de macieiras recebidas do ex-governador Parigot de Souza, resolveu investir na cultura (Pimentel, 2017). Paralelamente houve uma crescente imigração japonesa para a cidade, impulsionada quase que em sua totalidade pela atuação da cooper COTIA, cooperativa de fundação de descendentes japoneses, que incentivou o cultivo da macieira por seus associados no município.

Com o passar do tempo, outros proprietários de terra demonstraram interesse na produção da maçã, iniciando uma nova era para Palmas, saindo da fama de extrativista, para a fruticultura, com destaque nacional, em função da qualidade e volume da produção, tornando-se o maior produtor estadual de maçãs (RBJ, 2017). A expansão da atividade proporcionou a implantação de um armazém frigorífico da Companhia Brasileira de Armazéns – CIBRAZEN, que à época de sua implantação era o maior da classe no sul do Brasil, hoje pertencente à Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná – CODAPAR.

Fonte: Lucas Henrique Colla, Graduando em Agronomia.

Instituição: Instituto Federal do Paraná (IFPR) – Campus Palmas.

Natasha Akemi Hamada, Doutora de Agronomia

Instituição: Instituto Federal do Paraná (IFPR) – Campus Palmas.

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